Auto Estima e Motivação

 

 

 

Marli Andrade

Psicopedagoga

 

Aquele que não luta pelo que quer, não merece o que deseja

 

Publicado - 12/03/2008 - 21:44

 

Numa semana mais poética (não sei por qual motivo),  não poderia deixar de citar  Carlos Drumond de Andrade:

 

"A cada dia que vivo, mais me convenço
de que o desperdício da vida está
no amor que não damos, nas forças
que não usamos, na prudência egoísta
que nada arrisca, e que, esquivando-se
do sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável. O sofrimento é opcional."


O grande perigo de acreditar fielmente que o “O SOFRIMENTO É OPCIONAL” é que se corre o risco de parecer um ser humano frio. E,  talvez seja por isso que compreendo e amo tanto o Nietzsche – os que não o conhecem o consideram frio – para os que o amam, se consideram Nietcheanamente humanos, e certamente por isso compreendemos e amamos até mesmo aqueles que crêem ser loucura acreditar que o sofrimento é opcional. Da filosofia de Nietzsche à poesia de Drumond temos que concordar: sofre quem quer.

 

Os seres humanos, demasiadamente humanos, enxergam a vida mais simples, assim como ela é. Por isso, ressalto mais uma vez aquela visão de buscar o equilíbrio. Creio que seja importante buscar a felicidade tanto quanto esquivar-se do sofrimento, todavia, creio primeiramente no caminhar. No entanto, caminhar com muita cautela, muito aprendizado. E uma pessoa que caminha aprendendo, certamente se torna uma pessoa cada vez mais feliz. E somente uma pessoa feliz pode perfeitamente enfrentar as suas dores. E o melhor: sem sofrer.

 

Mas, como enxergar a vida como ela é? Entendendo que ela é  diferente para cada um, mas igual em sua essência. Assim, ainda no primário, aprendi com a Cecília Meireles “O vento é o mesmo. Cada folha é que balança diferente”. E como temos balançado nossas folhas podemos enfrentar nossas alegrias e nossas dores. Particularmente creio que  DOR – SOFRIMENTO só é aquilo que o tempo não possa resolver. E esse tempo depende de nós mesmos (se é uma noite se sono, alguns dias de sofrimento, ou até mesmo um bom e longo tempo até nos  enxergarmos  no espelho).

 

E para não correr o risco de dizerem: - isso é utopia, coisa de poeta – recorro também ao Humanista e Educador Darcy Ribeiro: “O único clamor da vida é por mais vida, bem vivida. Mais vale errar se arrebentando, do que poupar-se por nada”.

 

Cada dia vivido, mas verdadeiramente bem vivido, dá prazer até para  quem está por perto. Não sou adepta aos exageros, todavia admiro muito aqueles que lutam com todas as suas forças pelo que quer. E depois que o objetivo estiver alcançado, a felicidade estará à vista. E então,  quando a  escolha for frustrada, sofrimento na certa? – Jamais!  Arrebente-se, mas não abra mão das delícias da vida.

 

“(...) que sejamos sempre capazes de viver tudo o que há de sagrado em cada instante” (Kahlil Gibran). A intensidade da vida depende de como a olhamos, de como balançamos nossas folhas, de como reagimos a partir de nossas próprias escolhas...

 

Decida somente quando estiver seguro do que vê. Dê um passo de cada vez observando todos os detalhes. Não apenas olhe, enxergue tudo á sua volta. Equilibre-se sempre. Em qualquer situação, mesmo que assim possa parecer frio, calculista e acredite: “Somente o sábio equilibra-se no caus” (Carlos Drumond de Andrade).

 

Se desejamos não sofrer, que sejamos capazes de aceitar as conseqüências de nossas escolhas.

 

 

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